Qual o seu maior momento dito em silêncio? Qual porção de teu instante encantado ecoa mudo?
Muito se escreve sobre o que se tem dito por aí, sobre o que falaram. Indago sobre o mutismo íntimo em que a consciência não usou a linguagem como muleta psicológica. O que se têm calado? O que calaram de você? O quê nao habitou a esfera do convívio sonoro?
Essa é a nossa manchete diária: Calaram isso de mim? Sim e eu acho interessante é que muita gente perde também a oportunidade de ficar calado. Fala bobagem.
Todos nós calamos. Alguns em menor grau, é certo, mas todos usamos do artifício da não-linguagem, da sutura da verborragia como fuga do real. Ás vezes é até como resposta, me calo porque estou protestando também. Quando somos crianças chamam isso de "emburrar".
A questão é fazer com que todos reflitam sobre aquilo que será promovido à som.
Que alguns elevem a forma de promoção sonora aos poemas e às canções é ótimo, mas que outros calem bem pura a gênese do pensamento, pois uma vez expresso, esse juízo assume massa, não malável e só podemos acrescentar ao que se foi dito, da mágica deste apêndice irá brotar a natureza primordial da fala: transmitir uma mensagem, e ela é transmitida mesmo calada.
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